“Escola de Samba” – Exposição de centenário de Hassis (Hiedy Assis Corrêa) no Museu Histórico de Santa Catarina

Quando se fala em turismo em Santa Catarina, a primeira imagem que vem à cabeça é quase sempre a mesma: praias, trilhas, serra e gastronomia de influência europeia. Mas o estado guarda um circuito cultural que merece entrar no roteiro de qualquer viajante curioso. De Florianópolis a Joinville, passando por cidades históricas do litoral e do interior, museus, ateliês e galerias contam uma história catarinense que vai muito além do cartão-postal.

E há um detalhe que poucos visitantes consideram antes de viajar: Santa Catarina também é um bom lugar para comprar arte. Pinturas, esculturas, cerâmicas e peças de artistas locais aparecem em galerias, feiras e ateliês abertos ao público. Para quem se apaixona por uma obra durante a viagem, vale a pena conhecer o circuito e, principalmente, saber como levar a peça para casa com segurança.

Florianópolis, porta de entrada do circuito cultural catarinense

Museu Histórico de Santa Catarina
Museu Histórico de Santa Catarina – Florianópolis

A capital concentra boa parte das instituições culturais do estado. O Museu de Arte de Santa Catarina, o MASC, reúne um acervo importante de artistas catarinenses e brasileiros e funciona como ponto de partida natural para entender a produção local. No centro histórico, o Palácio Cruz e Sousa, sede do Museu Histórico de Santa Catarina, combina arquitetura do século XIX com exposições que atravessam a memória política e cultural da região.

Outro nome incontornável é Victor Meirelles, pintor florianopolitano autor de telas célebres da história da arte brasileira. O museu que leva seu nome, instalado na casa onde o artista nasceu, é uma parada obrigatória para quem quer entender a relação da ilha com a pintura acadêmica do século XIX.

É também em Florianópolis que muitos visitantes acabam adquirindo sua primeira obra: galerias e ateliês da região vendem peças de artistas contemporâneos catarinenses, e não é raro sair de uma exposição com uma tela ou uma escultura debaixo do braço. Nesse momento, surge uma pergunta prática que pega muita gente de surpresa: como enviar a peça até em casa sem risco? Obras de arte não viajam como uma mala comum. Elas exigem embalagem específica, seguro adequado e, no caso de compradores internacionais, documentação aduaneira correta. Existem hoje empresas especializadas em transporte de obras de arte que cuidam de todo esse processo, da embalagem sob medida à entrega na porta, no Brasil ou no exterior, o que permite comprar com tranquilidade mesmo estando a milhares de quilômetros de casa.

Vale lembrar que a figura de Franklin Cascaes, artista e pesquisador do folclore da Ilha de Santa Catarina, permeia boa parte do imaginário local. Suas bruxas, boitatás e cenas do cotidiano açoriano inspiram até hoje artistas, artesãos e ceramistas da região, e peças ligadas a esse universo estão entre as mais procuradas por quem quer levar um pedaço autêntico da ilha.

Joinville e o norte do estado: dança, escultura e memória industrial

No norte catarinense, Joinville surpreende quem chega esperando apenas uma cidade industrial. Sede do maior festival de dança do mundo e da única escola do Balé Bolshoi fora da Rússia, a cidade respira cultura o ano inteiro. O circuito de museus locais passa pela memória da imigração europeia, pela história do desenvolvimento industrial da região e pela produção de artistas nascidos ali, como o pintor e desenhista Juarez Machado, um dos nomes catarinenses mais reconhecidos internacionalmente.

Um pouco mais ao norte, São Francisco do Sul, uma das cidades mais antigas do Brasil, abriga o Museu Nacional do Mar, dedicado às embarcações e à cultura marítima brasileira. O centro histórico tombado, com seu casario colonial debruçado sobre a baía da Babitonga, é por si só um museu a céu aberto.

Serra, Vale do Itajaí e interior: arte fora do óbvio

O interior catarinense reserva descobertas para quem aceita sair do litoral. No Vale do Itajaí, a herança germânica aparece na arquitetura enxaimel, nos museus de imigração e no artesanato típico. Cidades como Blumenau e Pomerode mantêm viva uma cultura material que mistura tradição europeia e identidade brasileira, com peças de madeira, cerâmica e vidro produzidas por artesãos locais.

Na serra, Lages e região desenvolvem um turismo rural que valoriza a cultura tropeira, com fazendas históricas e um artesanato ligado ao couro, à lã e à madeira. Já no sul do estado, a influência italiana das cidades da região carbonífera se traduz em festas, gastronomia e memória da imigração.

Esse mosaico de influências, açoriana no litoral, alemã no vale, italiana no sul, tropeira na serra, é justamente o que torna a produção artística catarinense tão diversa. Cada região imprime sua identidade nas peças que produz, e é isso que os colecionadores e viajantes buscam quando compram arte no estado.

Acervo Museu Hassis – Florianópolis

Comprou uma obra na viagem? Planeje o retorno dela também

Se a viagem por Santa Catarina render uma aquisição, alguns cuidados fazem toda a diferença. Primeiro, guarde a nota fiscal e qualquer certificado de autenticidade fornecido pela galeria ou pelo artista: esses documentos são essenciais para o seguro e, no caso de envios internacionais, para o desembaraço aduaneiro. Segundo, resista à tentação de despachar a obra na bagagem ou em uma transportadora comum. Molduras, telas e esculturas exigem caixas sob medida, materiais de proteção específicos e manuseio treinado.

Por fim, considere o custo do envio especializado como parte do investimento na obra. Uma peça danificada no caminho perde valor afetivo e financeiro, e a diferença de preço entre um envio comum e um serviço especializado raramente compensa o risco. Com o retorno da obra bem planejado, resta o melhor da experiência: voltar para casa com um pedaço da cultura catarinense na parede, e uma boa história de viagem para contar.

Santa Catarina prova que praia e cultura não competem entre si. No mesmo roteiro cabem um mergulho na Lagoa da Conceição, uma tarde no MASC, um espetáculo de dança em Joinville e a descoberta de um artista local cuja obra vai atravessar o país, ou o oceano, até chegar à sua sala de estar.